Nova Comunidade da IMAGINAÇÃO em Portugal

(English below)
A Susana e eu começámos o dia cedinho, sentadas nos sofás com vista sobre o mar — uma vista do tamanho da parede inteira — a preparar o workshop do dia seguinte. Atrás de nós, todo um aparato de câmaras apontadas às nossas costas provocava a perplexidade de quem passava no 2.º piso do Edifício Transparente, a caminho dos seus escritórios no Workin Porto.
O Rob Hopkins, um par de meses antes, tinha-me mandado uma mensagem para me mostrar um trailer de um documentário sobre Imaginação. Contou-me da gentileza e da qualidade profissional dos três jovens que agora nos filmavam em Portugal - “estão a preparar-se para os festivais de outono”, disse-me, “mas precisam de imagens do workshop ‘Como se apaixonar pelo futuro?’ e preferem que não seja eu a facilitar, para evitar que se passe a ideia que só eu o posso fazer”.
Não me surpreendeu que o Rob pensasse em mim: em outubro passado, fizemos juntos uma digressão de norte a sul de Portugal. O exercício foi tão intenso, repetido e prolongado que terminou comigo, em exaustão, a repetir aos meus mais próximos que, se me ouvissem a voltar a ter semelhante ideia, me amarrassem. Hei de ter merecido o diploma (imaginário) que o Rob me mandou depois - e não me parece que o meu programa de aprendizagem pudesse ter sido mais completo.

Abrir portas
Entretanto, deixem-me dizer-vos: a digressão, que se seguiu à publicação do livro do Rob, agora traduzido em português, teve um impacto importante por onde passámos e em mim própria (de acordo com a minha própria bitola, está claro). Aprendi muito e comecei processos de reflexão importantes.
A minha querida amiga Sara Rocha e eu escrevemos um relatório informado por dados recolhidos um mês e meio após a digressão, através de um formulário enviado aos participantes de quatro dos eventos organizados. Faço um resumo desse relatório neste documento que partilho convosco, caso tenham interesse. O Rob também escreveu sobre a digressão, aqui.
Dos meus processos de reflexão, um destaca-se: o da importância da língua materna nos processos de transformação regenerativa, como é este que o Rob propõe, neste trabalho sobre a importância da imaginação em processos de mudança - vou escrever sobre isto um dia destes.
Desta vez o abrir de portas foi fácil. Senti claramente uma evolução: um maior interesse de quem não participou na digressão, mas ouviu falar dela; e de quem participou, o entusiasmo de partilhar a experiência com outras pessoas. Com a Susana Caires e a Liliana a ampliar a informação e a inspirar as pessoas do norte e centro de Portugal, esgotámos facilmente os lugares das duas sessões que facilitei - no sábado, para jovens futuros líderes e agentes de mudança (25 participantes, a partir dos 14 anos), e domingo para um público mais geral (outros 25).

Viajante do tempo, a solo, pela primeira vez
Quando começámos, apresentei o Guillaume, o Max e o Charlie, arrumadinhos num canto da sala com as câmaras ainda a apontar para o chão. Surpreendeu-me que ninguém se opusesse a ser filmado e surpreendeu-me também o conforto de todos, mesmo com câmaras a filmar a uma distância bem para lá da linha invisível do "espaço pessoal", num workshop interativo que coloca todos os participantes em situações de envolvimento ativo.
Eu estava preparada para as reações dos participantes assim que lançasse os diapositivos: caras confusas, intrigadas e muito divertidas. As expressões evoluíram à medida que fui mostrando as fotografias das viagens no tempo - parte do programa secreto com base na poderosa tecnologia quântica desenvolvida pelo Rob por baixo do castelo de Totnes, em Inglaterra.
Contei-lhes que eu integrei o grupo de investigação/viajantes do tempo em outubro de 2024 e mostrava-lhes agora as provas das viagens a 2030, feitas durante a nossa passagem pelo Porto, na digressão. Mas atenção: não foi um 2030 qualquer! Todo o trabalho de investigação focou-se no desenvolvimento de uma máquina do tempo, agora em versão portátil, sintonizada para aquele 2030 (ou aqueles, porque as possibilidades são infinitas) que resultou de termos feito tudo o necessário para que, de facto, se tenha reduzido as emissões de CO₂ a 50%, como acordado há dez anos, em Paris.
E melhor: consegui - agora sem a supervisão do Rob - levar os participantes todos a visitar um desses 2030 e convidá-los a usar todos os sentidos nessa experiência! (Agucei-vos a curiosidade? Faço votos que participem num destes workshops, num futuro próximo!)
“E SE…”
Depois de cada um dos dois dias, cheios de histórias, de conversas profundas, de atividades interativas, multisensoriais, em sala e na praia mesmo em frente do Edifício Transparente, despedi-me de cada um dos participantes num abraço emocionado, após termos fechado um círculo de partilha de esperança no poder e potencial das nossas perguntas:
“E SE….?”
Agora, está a nascer uma comunidade de prática sobre a Imaginação (com jovens entusiasmados) e uma vontade muito grande de ter o Rob outra vez em Portugal, assim que traduzamos o novo livro dele. Enfim, amarrem-me que eu já estou cheia de ideias! Ou não…
Agradecimentos:
Ao Rob, a ele se deve isto tudo.
À equipa - Guillaume, Max e Charlie, à Susana Caires (essa força da natureza), à Vanessa e ao Workin Porto, à Lili e a todos os participantes de todas as idades, ao Bitocas, à Susana, ao Humberto, ao João e a Inês.
New IMAGINAÇÃO Community in Portugal
Susana and I started the day early, sitting on the sofas overlooking the sea—a view that took up the entire wall—preparing for the next day's workshop. Behind us, a whole array of cameras pointed at our backs caused perplexity among those passing by in the second floor of the Edifício Transparente, on their way to their offices at Workin Porto.
A couple of months earlier, Rob Hopkins had sent me a message to show me a trailer for a documentary about Imagination. He told me about the kindness and professional quality of the three young men who were now filming us in Portugal — “they're getting ready for the film festivals in the fall,” he told me, “but they need footage of the workshop ‘How to fall in love with the future?’, and they'd rather I didn't facilitate it, to avoid giving the impression that I'm the only one who can do it.”
I wasn't surprised that Rob thought of me: last October, we toured together from north to south Portugal. The exercise was so intense, repetitive, and prolonged that it ended with me, exhausted, repeating to my closest friends that if they heard me have a similar idea again, they should tie me up. I must have deserved the (imaginary) diploma that Rob sent me afterwards—and I don't think my learning program could have been more complete.

Opening doors
By the way, let me tell you: the tour that followed the publication of Rob's book, now translated into Portuguese, had a significant impact wherever we went and on me personally (according to my own standards, of course). I learned a lot and I began important processes of reflection.
My dear friend Sara Rocha and I wrote a report based on data collected a month and a half after the tour, using a form sent to participants at four of the events organized. I summarize that report in this document, which I am sharing with you in case you are interested. Rob also wrote about the tour here.
Of my reflection processes, one stands out: the importance of the mother tongue in regenerative transformation processes, as Rob proposes in this work on the importance of imagination in processes of change—I will write about this one of these days.
This time, opening doors was easy. I clearly felt a change: greater interest from those who did not participate in the tour but heard about it; and from those who did participate, enthusiasm for sharing the experience with others. With Susana Caires and Liliana spreading the word and inspiring people in northern and central Portugal, we easily filled the seats for the two sessions I facilitated—on Saturday, for young future leaders and agents of change (25 participants, ages 14 and up), and on Sunday for a more general audience (another 25).
Time traveler, solo, for the first time
When we started, I introduced Guillaume, Max and Charlie, tucked away in a corner of the room with their cameras still pointing at the floor. I was surprised that no one objected to being filmed, and I was also surprised by how comfortable everyone was, even with cameras filming from a distance well beyond the invisible line of the “personal space,” in an interactive workshop that puts all participants in situations of active engagement.
I was prepared for the participants' reactions as soon as I launched the slides: confused, intrigued, and very amused faces. Their expressions evolved as I showed them the photographs of the time travels—part of the secret program based on the powerful quantum technology developed by Rob beneath the Totnes Castle, in England.
I told them that I joined the research/time travel team in October 2024 and was now showing them evidence of our trips to 2030, made during our tour stop in Porto. But beware: it wasn't just any 2030! All the research work focused on developing a time machine, now in a portable version, tuned to that 2030 (or those, because the possibilities are endless) that resulted from us doing everything necessary to actually reduce CO₂ emissions by 50%, as agreed ten years ago in Paris.
And better still: I managed—now without Rob's supervision—to take all the participants to visit one of those 2030s and invite them to use all their senses in this experience! (Have I piqued your curiosity? I hope you will participate in one of these workshops in the near future!)
“WHAT IF…”
After two days filled with stories, deep conversations, interactive, multisensory activities, both indoors and on the beach right in front of the Transparent Building, I said goodbye to each of the participants with an emotional hug, after we had closed a circle of sharing hope in the power and potential of our questions:
“WHAT IF…?”
Now, a community of practice on Imagination is emerging (with enthusiastic young people) and a great desire to have Rob back in Portugal as soon as we translate his new book. Anyway, tie me down because I'm already full of ideas! Or not...
Acknowledgments:
To Rob, to whom we owe all this.
To the team—Guillaume, Max, and Charlie; to Susana Caires (that force of nature!); to Vanessa and Workin Porto; to Lili and all the participants of all ages; to Bitocas, Susana, Humberto, João, and Inês.
Filipa Pimentel